sábado, 12 de fevereiro de 2011

Briga.

Começo é pelo fim. Proposto está o armistício. Uiva-se em quase terror. O susto advém de censura. Qual sempre em vivências sob império de veto, dor invade peito. Costas viradas em alforges contam estarem vários, homens dentro do homem, em contenda. É romanesco o espírito. Houve amores, no curso. Do estado alterado da paixão não há memória. Resta o sumo, o amaro, do desgosto.

O meio da história é aberto. Enveredar é em direções. Perder-se é entrar no oculto. Permanecer em lá e cá é dever. Ao saber é preciso seguir. Ao ignorar é preciso chegar. Precioso é o curso percorrido. Um desejo é descoberto. É um reclame do mundo do sonho.

No espaço há as substâncias formadoras do homem. Interpenetrados seres: bom nome! Há convicção. O autor está perdido, percebe? Olha para figuras recostadas em paredes. Ouve-se Lou Reed. No momento seguinte qual será o sucesso?

Voltar, voltar, voltar a todos os momentos possíveis. Memoriar o tudo acontecido. Falar só em presente e infinitivo. Preciso é seguir ao sabor. Coragem é preciso. Enfrentamento é no real. As ruas vão cheias de seres atraídos, magnetizados pela terra.

Chega-se ao fim dos princípios. Antes da paz há desmoronamento. Desquites os antes parceiros retiram-se para distâncias. Diversos são os destinos de amores destroçados. Este é desconhecido. O narrador perde a ponta de novelo, no andar por aí. Fica ao largo, em chuvarada, buscando saída da tristeza. A dita invadiu a casa, sorrateira, disfarçada de gozo.


domingo, 6 de fevereiro de 2011

Dizeres.

A verdade é a busca. Quando é noite ouve-se música. Violões e sopros e tambores e tantos tocam. A alegria reside na música. Na próxima curva, vírgula, uma sombra está em pose de espera. É um vulto. Tudo, e um qualquer isto momentâneo, pode acabar. Verdadeira é a morte, quando acontece. Verdadeiro é viver. Estes são os do filósofo. Entende?

De fato, de fato, fato é fato. A música é motivo de assombro maior, elevado. Sua existência desentendida provoca entendimento. O completo parece presente e possível em música, música, música. Um violão, uma flauta, dois humanos, sons gravados, presenças telepáticas, ondas, seres ocupados em ser. E isto, perceba-se, existe no real, no duro.

É verdade. Apresentações podem acontecer. Trump é o nome do que passa ao largo vigiando. É herdeiro de honras, palavras, trejeitos, tremores, notas, acordes, cabelos. É invento, fruto de procriação, é feito de homem. Persona em palavra. Assombro é o tema, o que volta. No futuro saber-se-á como agora tudo acontece, aconteceu, ai, ai, ai...

Um raro, um quarto, um puxado, um parágrafo é ainda preciso. Mais um cheio, outro, com mais e mais ditos arcaicos novos. Lio é o outro cara. É amado, companheiro em andança. Surpresas existem no mundo em término. Os começos, de fato, não desistem de existir. Nem mais se espante, leitor amigo. É mesmo assim. É desplante.


sábado, 5 de fevereiro de 2011

Trump volta.

É em verão. É necessário explicar coisas. O derretimento dos polos, a mudança do eixo planetário, as previsões e o mais seguem ocupando o tempo e o pensamento. É de se dar por finda uma passagem e estabelecer parada. Uma bebida, refresco, é de bom tom. O lugar, o achado, é torre pequena em metrópole. Dada a chuva, a noite é suave.

Pensado, o mundo fica firme. É possível nem lembrar translação, rotação, chuva ácida e placas tectônicas. É capaz o homem. Capaz de seguir valorosamente. Vai em direção íntima. Acolhe substratos diversos, fumaças, ácidos, doses. Abre-se, desprotege-se, veste-se para sair. Cabelos e extravagâncias outras são expostos pelas ruas.

Sei muito bem – diz o homem. Nada do dito é coisa de compreender. Não se sabe, no exato, um sequer motivo para seguir no afirmar. É permitida a descrição de estados d'alma, das dúvidas perenes, da incerteza completa e de muitas trilhas de evasão. O retorno de Trump à casa é um milagre. Vem da força do personagem. Vem do desejo de existir.

Elegância e fel.

Ordem. As palavras, jorrando, vindas do dentro amargo, do estranho, do confuso, querem o suave. Os músculos desarranjados, em desacordo com ossos, procuram o jeito, o disfarce, a parecência de beleza. Calma de lago guarda o sono do assustado. É denso, o momento, muito.

Força. Dez são os dedos. Uma é língua. Dois olhos existem. Canais são orelhas. Dentes não contados moram na boca. O ar passa por nariz esburacado. O pensamento parece estar no dentro da cabeça. Aprisionada segue a alma. O bicho move-se. Dança.

Pausa. Viver é urgência. Não há distração possível. O contato do homem com mundo e mundos não para. O vento adentra o claustro. O prata e o vento adentram o corpo humano do homem. Há o acontecimento. Viver em possível, é possível, em tarde herética.

Lio

Outro aparece. Escreve. Exibe-se. Percebe mensagens celestes. Trafega em urbe jovial. Seus deveres são os das artes. Encontra muitos. Entre muitos está Trump. Homenageiam-se. Ensaiam em dupla. Em noites decididas cantam e tocam instrumentos. Além, falam, contam-se histórias.

Personagens surgem. Entram em contato. Estão presos ainda. Estão no fundo da mente do homem. Dormem entre os parágrafos. Ocultas no espaço aberto, no vazio. Lio insinua-se, cabelos altos, flutuando. É recebido na casa. É recebido. É fabuloso.

A música não pode ser contida. As vozes ecoam pela sala, voam, penetram ouvidos, sentidos, sensos. Seres atravessam o entardecer. É no descrito espaço. Olhos semicerrados, voltados ao dentro e ao fora. Trump está saudoso. Lio percorre a cidade.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Da primeira carta de Trump a Lio.

O ouvir da própria voz, Lio, é assombroso invento de deidade dos sentidos. Qual o sentir o cheiro de si. Ou praticar tantos outros afazeres assombrosos, dádivas em vigência, desde o antes das origens.

Repete-se a repetição. Palavras já ditas assombram o parágrafo. Desejam retornar ao palco. Todavia, palavra difícil, há bloqueio em caminho. Ainda, entretanto, dureza, prumo, afinação, assunto é o que não falta.

Sigamos irmão! Confiantes temos dado ao senhor nossas mãozinhas. Seguremos também, camarada, em mãos de malandros, o primeiro, o mais próximo, o qualquer um. Quiçá haja para nós, da noite, uma saída.

Em noite musical.

Confesso. Comparece o andante à casa. Percebe. Janelas e outras passagens interessam. Há as obras. E isso é principal. Obrigações ali são as de olhar e escutar, ler, escrever, tocar instrumento, cantar, cozinhar, manter tudo, fabricar lugar. A disciplina é para acolher. As emoções vivem em retiro. Toda hora é de salto. Atentar para a música, completamente, é desafio e anseio. Entregar-se, deixar-se tomar, amar, eis outros nomes do desejado.

Trump repousa e prepara os dons. Logo será momento de partida. O mundo está a desejar que alguns o circundem. Nesta estada, longa, construiu-se acervo. É para espalhar e sair por aí na recolha doutras histórias, dádivas. É o suposto. Na bagagem será necessário guardar entendimento de motivos. A vida anda estranha, veloz, ousada no apavorar. O serviço não é pouco, mas não é de invento. É tarefa de repetição. Por recompensa existem o belo e a beleza.