terça-feira, 3 de abril de 2012

Em busca do calo ósseo.

Palavra em névoa. O tudo se coloca ao pé do pé, o quebrado. Música é dádiva. É perene o contato com os protetores verdes. Jardins, jardinetes, arbustos, visíveis, invisíveis, secretos há, no entorno. Come-se os vegetais muitos. Raízes e frutos e sementes e flores e mais manda-se para dentro. A tarefa é fabricar cicatriz em osso.

É, por vezes, desesperador. Fica-se em margem de infância. É, noutras mais vezes, encantamento. Arrasta-se o corpo em novos modos. Descobre-se o gozo do equilíbrio, em memória. Teme-se agravamentos, deslizes. Teme-se temores. É intenso e igual em vigília e sonho. O tema é a profundeza de ser. Há liberdade.

Difícil entender o dito. Trata-se sempre tudo. Toma-se a música e a luz e a memória e o sonho e as dores e a ignorância e mais. Mistura resta do juntado. Dentro de ser está o acontecer. O entendimento é possível. E é certo entender. Pode-se acreditar. O momento é entre outros. Há desejo de acabar logo com isto.

sexta-feira, 30 de março de 2012

No osso.

Dias duros, de ser zureta, por cansaço. Homem, em dever de reconstrutor, opera em extremo. Trecho da caveira, avariado, ocupa forças de todas partes. Ouve Bach e muitos. Olha o pé e olha o outro pé, quebrado. A doença fica oculta em pele, carne.

Um dia é de tocar só. Outro, muitas vezes, é igual. Homem toca. E abraça instrumentos e parceiros. Entre estes há máquinas, pássaros, assobiadores, passantes, infindos. É um mistério viver em mistério. Perguntas borbulham em calma. Doença ensina tristeza.

É jubiloso qualquer próximo e passo. Saltitar com par de muletas, dançar assim em três pernas, a ouvir um trecho de uma sonata, perceber-se a dizer, compulsivo, mais e mais e mais e mais: acontece. Tocar é o bom tom. Há cura.


sábado, 24 de março de 2012

Osso.

Dentro do eu tem o osso do eu. O grande maior e todos, ossos, prontos, vão ligados. Osso quebra. As águas revoltam-se em quebraduras. A trabalheira aumenta. Dói o pé preso. É preciso fabricar um calo. Há deveres e prazos. Penas, todavia, são suaves. Veja-se.

Vai-se no ouvir Quinteto Violado, Lambarena e além, só no presente. Muito é novo e velho tocado em instrumentos visíveis e imagináveis. A loucura é, em doença, completa. Em alívio é inteira, a loucura, tanto quanto. Certo, certo, certo...

Assim chega o homem, em tempo de fratura, ao perceber. Assunta em modos, forças, equilíbrio e por aí. Pensa devagar. Esquece. Sonha sempre estar sem muletas, sem contenção. Caminha suave. Regride aos seus outros tempos de não andar.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Vem da canção.

Canção existe em noite. Ação é de graça. Segue em manhã seguinte ao sonho. Cruza oceano elétrico e pousa em destino. É na partida a chegada, é em igual praça. Arranjos adornam flores. Toda música é sacra. Viver é certo. E há além.

Palavra imita coisa inatingível. A música é inacreditável. A luz é brilhosa. O amarelo lá da flor não aceita restar fraco. Ele é tudo. O brilho em meio ao verde e cinza em cidade é ali, amarelecido. Retratos tomam conta da casa.

Fala é ressurreição. Qual música difícil, palavra demora a emergir. Histórias de amor perpassam entendimento. Saudade há de passos e voos. Homem é prisioneiro em vezes. E, então, peregrina em dentro.


Do pé em prosa.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Pira.

Acende-se, toma-se nas mãos, leva-se a correr. Dá-se volta e mais volta em mundo. É do destino o dizer. Música sai de corpo e berimbau. Drama é cantado.

Repete-se o rito, dia a dia. Arruma-se as coisas. Lava-se as coisas e lava-se as partes. Flutua-se sobre sapatos e ratos. Tudo soa a som.

Se dito decifrar, homem, é senhor de destino. Assim comparecem frases, sentenças, gorjeios, cânticos, à janela e, ali, intentam. Em tarde é ser.

Confunde-se tudo. A noite é chegante. Nova cor é feita em arranjo. O feijão vai atrasado. Música, no sempre, corre solta. Ai, ai, ai...

Diário é aberto. Orações deixadas no antes ali estão. Os nomes são buscadores de coisas. Pratica-se ficar e tocar. Dim, dom, dim, dom e além.