segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Boa e coisa.

Boa. Voz em cantoria vibra em tarde alegre. Alvíssaras! Chuvarada e sol, refrescos e ardências, desenham. A imaginação é acontecimento no mundo do afeto. O palavreiro brota. Trump em pouso, fala sem descanso. Solilóquio, qual sempre, instaura-se sem tema preciso. Ouve-se canções cantadas. As palavras meditadas, os inventos contidos na mente, encontram-se no mundo invisível. Misturam-se com os versos emanados da máquina de trazer música. Germinam.


Coisa. Fala de si para si. Fala do íntimo estado. Publica. Expõe temores, incompreensões, alegrias, torpezas, entorpecimentos e mais. Tangencia. Não se explica. Não há, de fato, desejo de fechar qualquer questão, ou construir sobre um plano. A busca é de uma expressão aberta, visionária. O entendimento colhido em caminhos o permite. Contar histórias sem fatos é um sinal em Trump. Melhor, quando acontece, é dar início a um passeio.

domingo, 30 de janeiro de 2011

E pita.

Trump pita outra vez. Há um desequilíbrio. As dores tomam posse de instantes. Percebe-se transtorno em movimentos. Atravessa o palco, ombros baixos, cotovelos afastados do tronco, braços em arco. Em chegando ao espelho gira em dança minimalista. Em passos leves, minúsculos voos, deslocamentos insiste por instantes. Depois disso usa banquinho de preto velho e poltrona de amamentar. Janta recostado a apreciar nuvens. Anuviado é o pensamento. Tem autorização para passeio noturno. É hora de lavar-se.

O seguir da história é um salto. Sempre é. É impossível entender acontecimento senão acontecendo. Antes o nada acontece. O nada é antes. Alma de juvenil persiste, procura explicações. Monta em mosaicos um painel. Nele vão listados os saberes daquele a levar o pito. A pedagogia escolhida na reabilitação de Trump é ocultista. O crepúsculo é em chumbo, raios e trovões. Somado ao verde e à cor pedra da construção humana, alucina o sujeito. Hoje não está nada fácil, resmunga. Mal se percebe quando a chuva toma posse de tudo.

O pensamento é vago. O motivo e o pito e o motivo do pito são assunto de meditação. É tudo com rigor. Não há quase folga. Trump não deixa de estar em movimento, jamais. Treme, ronca, ressona, espirra, cantarola, assobia, fala. Por vezes é uma canseira. Escuta, diz sua alma andarilha. Estou a contar os pingos da chuvarada. Para tanto corro. Siga-me. O que espera é o abrir-se. Abrir-se é para ir ao lado, ao outro, o dentro.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Trump pita.

É manhã. Assim é feito o ato. O ator é o divagante. Pratica. Vislumbra. O princípio é musical. Banda das antigas, pouco ouvida, novidade velha ou sabe-se lá, é o introito. Preambular é de precisão. Mover-se na lenta é o jeito próprio da personagem. Há o drama do esquecimento, os lapsos. Na cela, sem saber qualquer começo, alguém é invisível. Os dias são os do aprendizado, do treino. Há o momento do banho frio.

Depois vem o prazer de esfregar-se, perfumar-se, vestir-se, olhar-se em espelhos diversos e sair a caminhar. O cenário é de efeitos, luzes, veículos, simulações. A luz é de meio-dia em calor. Na próxima parada pressente-se, no palco, a chegada ao encontro. Nos primeiros momentos os dois lado a lado estão. Fazem frente, na boca de cena. Mulheres aparecem. Contam façanhas grandes. Perdem-se os antes encontrados. É, pois, assim o almoço.

É na tarde. Em começo sempre é o estado do estar e do estarrecer. Andarilho poetisa andança suave. Instrumento aparece no pensamento. Some. Reaparece. Meditar métrica é necessário. Sob efeito do desígnio – palavra desconhecida, desentendida, buscada, compreendida depois de – segue-se. Como transliterar, versar, cadenciar, solfejar? São tantas as tarefas amorosas! É dever fazer escavações, plantios, colheitas, preces. É permitido entregar-se, por instantes, à música.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Trump é andarillho.

Revisar um texto é necessário. A tarefa é difícil. Escrever, seguindo o fluxo do acontecimento, ao som do Supertrump, parece mais simples. Música e palavra, instrumentos de expressão, comparecem ao planeta. São, entre tantos, frutos de um afazer humano, o inventar. Outros seres inventantes envolvidos estão por igual, juntos, transmutando.

A voz segue pelo elétrico ao vento. Ecoa a canção vinda da máquina. Há terreno, espaço aéreo, sentidos na mente homem. Pensa o corpo. O corpo humano é o homem. O homem vive em corpo humano. O retrato do corpo é o retrato do homem. Arranja as flores, homem. Revisa o estado dos adornos. Principal, atenta à lentidão que, vez por outra, invade os acontecimentos.

Cada gesto, cada gesto, cada gesto é. Ouve. O texto tem qualidades. Em momentos, perde-se. O trabalho é cortar, podar e regar. Assim pensado, mundo é macio. Enfim, sabe-se, desde um antes dos antigos, diversos saberes. Todos juntos, humanos, movem. Cada um dos todos move-se. Ritmos, confluências, dramas, guerras e fatos são, partes do fato são, sem interrupção.

O livro a viver verdade.

A verdade, desejado saber, deve de existir em mundo existente. Talvez em um dos supremos. As fantasias à margem de lago de ideias, ora vagas, nômades, migrantes, brotam régias. Elucubrações, eis palavra brotada. Delas é preciso afastar-se. Antepor conceito. Apagar o surgido monstro, o personagem vazio, sem corpo, sem pensamento, lançado ao vento em papel, boneco, rascunho, pré existência. Será necessário acreditar no encontro, na existência, para seguir nesta comunicação.

O livro é feito e exposto, em público, no imediato. Os processos de trabalho, seja na criação da personagem, seja na destruição da personagem, ficam manifestados, expostos. O regime é o dos ensaios abertos. Escrita performática, discursiva, evasiva, invadida e adiante é prática. Os resultados de qualquer grito jamais serão conhecidos por inteiro. As capacidades cognitivas do homem, qual as dos homens, são próprias, fragmentadas.

Viver é aprender percepção. Precisa, para seguir, guardar desconhecimentos. Carece a vida de ações do vivente. É um sem fim de ofícios possíveis os sugeridos pela vida. As afirmações são exigidas no diário. Os chamados tempos, dizem, são modos que estão por desaparecer. Em água ou chama, dizem. Cada qual sonhador reclama o saber do desfecho do sonho. Não importa, senão saber quais trechos da história ainda estão por ser escritos.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Começa em volta e encerra.

Começa. Com a desculpa de fazer uma limpeza, o homem transborda. Classifica os livros. A ideia é adotar ordenamento fundado em estilos. Não dá certo. Resolve acomodar por tamanho, por assunto, por cor e, daí, incapaz para qualquer, põe-se a desarrumar. Sistemas de pensamento, jogos de palavras, filosofia profunda, imagens exorbitantes, complexidades, fluidez e tudo está nos livros. Tocar cada um deles, livros, pensamentos, olhares, é a graça. Os volumes envelhecem. A memória é transtornada. É preciso criar coisas. Meditabundo, sai a caminhar.

Volta. O retorno é no depois, no pouco depois, dos passados dias. Onde esteve o homem? Entre os afazeres, quais os seus? Se é ou não capaz de integridade, pergunta-se o homem. Suas unhas encenam as bem cortadas. Seus cabelos existem. Sentidos muitos tem em ação. Vive este, o retroceder, em imaginação. Depois antecipa viagens por fazer. Ou, sonha viagens sonhadas. Ocupa-se, moderno, dos temas de outrora. Retoma, por instante, os trabalhos da casa. Arrasta poltronas e concebe possibilidades de assentar. Constrói, também, caminhos.

Melhor dizer verdade. Funciona o mundo na verdade. Nas mentiras grande é trabalheira, pequena a dádiva. O acontecimento é em anoitecer metropolitano. Céu vai extremo em nuvens, chuva e cinza. Elis canta, Tom rege, Por Toda a Minha Vida. Morante de torre cozinha, canta, escreve, pita, tudo em hora pouca e intensa. A noite é próxima. Melhor lavar-se em água fria. É o que pensa. Sente perder. Está em percurso. Vê coisas. Ouve vozes. Caminha pelas ruas duras. Enxerga tamanhos e tamanhos vistos com óculos. Conta as linhas. Encerra.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Todo Humano Canta.

A substância penetra o medo, dissera outrora. Repete, repete, repete homem. Pois, atravessadas eras, há efeitos. Um desejo estapafúrdio acomete o narrador. A descrição detalhada de fluxos íntimos. Qual relato de sintomas ou de acontecimentos em universo onírico. Invadem-se contador e contado. Confundem-se as tramas do pensamento. Cada olho volta-se para um pedaço do visível.

Ah substância! Graças é necessário conferir. Há estas coisas ingeridas, tomadas, tocadas, muitas e muitas, ungidas. Delas nascem novidades, tremores, tamanhos, todas, coisas em expansão. O narrador perde o prumo. Comparece ao centro – ao parágrafo – mutilando roteiros para recolher os pedaços. Enfumaçado, sob efeito, constrói um mosaico. Aspira.

Um dia – eis desejo – as palavras sairão livres de dentro do homem. As palavras – eis presente – são de anarquia. O pensar é no modo difuso. A substância arranca, qual tufão, sonhos presos em redemoinho. Dá-lhe homem, dá-lhe espaço – invoca-se. Os sinais estão todos em todo lugar. Todas as personagens – eis mistério – proclamam a um só tempo. É o viver.

Assim, assim mesmo é o movimento. As palavras saem em sussurros. O escriba, tomado, mal entende o código. Cumpre. Registra episódios, recortes do fluxo mental. Com vagar é que tudo acontece. Uma historieta é invento preciso. É assim. É sim. Homem circunavega o quarto em desordem. Tropeça em ventilador de teto. Cai. Descrente não crê.