segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Um pino.

Diga-se: tudo pode. Acabar até acontece. Atravessar a ponte e estar estarrecido é da lei. Prepara-se um caldo lilás, azulado, em vermelho e negro e amarelo amido. Ouve-se Lost Highway.

É dentro das profundezas da parede a residência de alguns pregos e o destino de todos. Sonha-se com passados, à Lou Reed. Pontuar é tremendo.

No ontem, história há de encontro. Músicos diversos, crianças e adultos juntos, a tocar instrumentos e cantar reunidos vão. É belo. Entoa-se a Oração do Fressato, em banda, com solo de menino.

No amanhã este agora está. Naquele futuro, o de ontem, o fruto é o imprevisto, o inevitável, o certo a acontecer em presente. Diarista estou. Inda hoje  voo. Toca Uakti.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Vivo.

Preparo-me para viver. Tomo um gole. Descasco batatas. Toco instrumentos. Toco o corpo emocionado. Já estou vivo. Os dias vivem. Estou junto dos vivos outros. Há memórias.

Um pito é de precisão. Caminho pela casa – lembro – a ouvir Cesária Évora. Lá no trecho dos fundos começa o efeito: transtorno. À música!

Ando. Lido em lixo. Quero um só lugar para ele na casa. Desejo no lugar, este do lixo, um sempre vazio. Nada vai fora. Não há fora. Aqui é no dentro, no mundo.

Leve é viver ao som da mulher a cantar. Danço. Sobre a Terra, pé a pé, salto. Sorvo coisas diversas. Múltiplos são os destinos a percorrer. Em cada, canto.

No antes imagino. Saio a passeio. Deixo parágrafo em metade. Vou. No meio há agitação de vivos. Pego suprimentos de limpar a bunda e de beber. Volto.

Perpassa a lança, a dos dias, um voo, um gigante. Navega-se em nave. Trechos mínimos de aconteceres abrem portas. Vai-se a muitas partes.

Ao som segue-se. Devoto sigo. Tem horas, parece, de explodir. Findar é infinito. Cedo aparece o começo do fim. É mesmo confuso. Desejo é de sono profundo.

Noutra tarde desembarco sempre. É no depois de tudo. Sob efeito das flores sulfúricas, e de Aerosmith, ponho-me em novo texto. Começo agora. Vai!

domingo, 24 de julho de 2011

Dor.

Convém falar dor. O arquivo está salvo. Posso seguir. Estou absoluta. Então: pirei, por completo. Virei coisa. Tome-se os tragos! Este é o dito. Tome-se a coisa toda. Vira-se toda. Meu nome é dor, das dores, dor. É igual. Falta-me, por vezes, o ar para encher as ventas. Não, não, não... Faltam também outras histórias. Faltas são várias.

Medida é três ou quatro linhas por parágrafo. Não mais é preciso. No trecho inscreve-se parte da história vivida. Além tenta-se descrever o dentro do acontecimento, o acontecido no dentro enquanto acontece o acontecimento. Tudo é mais ou menos. Graças aos velhos homens fabricadores. Eles tiverem ideia de máquinas e de instrumentos.

Preparei música. É meu trabalho momentâneo principal. Adjetivos existem. Palavras na real são inacreditáveis. Não acredito em coisa qualquer. Uso qualquer coisa. Será que estou a fazer? Será na verdade possível crer possível repetir. Afirmo serem as perguntas o de melhor. Afirmo afirmações em noite alta, sob céu risonho. A quietude é quase um sonho, cantarolo.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Projeto de conto: conto.

O menino chega à casa confusa. Carência é de arrumação, de aprumo e de beleza. Todas as coisas estas ditas servem só quando juntas. Cada qual existe em seu lugar. Entre as diferenças há as de lugar, de modos, de cores. Objetos podem ser transtornados. Novo mundo é desejo. As frases vêm avoadas. Menino é o homem. Velho é o homem. Tomado é o homem. Mundo fica difícil.

Por não saber começar, homem decide por fim. Estabelece plano. Distrair-se é tarefa. Deixa acesas coisas erradas. Não fecha válvulas. Não olha para lados. Desatenta. Pensa: mundo é difícil. Segue pela rua fria. Escuta gritos. Buzinas escuta. Freios ouve. O som da cidade o ocupa. A fumaça ocupa seu lar. Ele nem sente. Segue no dia, outro dia, outro abrupto.

Este papo teu tá qualquer coisa – ouve o homem. Em depois ouve Villa-Lobos. Em depois canta. Em depois fotografa, filma, mija e come. Passa noite, passa dia. Pensar é ofício humano. Homem pratica humanidade e pensa. Procura o prazer. Sabe: a vida está sempre certa. Corre-se, no permanente agora, risco de acreditar estarmos todos vislumbrando.

Parágrafo novo é preciso. Música, qual no sempre, corre solta. Repetir-se é necessidade de homem. Talvez a história seja fraca. Talvez seja história igual. Sem novidade, sem invenção, sem susto deve ser a história, a vindoura. Só passado é real. Martírios, desastres, romances, totais calculados, provas reais, resultaram nisto. E agora, o agora, é o resto. Será?

terça-feira, 12 de julho de 2011