segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Boa e coisa.

Boa. Voz em cantoria vibra em tarde alegre. Alvíssaras! Chuvarada e sol, refrescos e ardências, desenham. A imaginação é acontecimento no mundo do afeto. O palavreiro brota. Trump em pouso, fala sem descanso. Solilóquio, qual sempre, instaura-se sem tema preciso. Ouve-se canções cantadas. As palavras meditadas, os inventos contidos na mente, encontram-se no mundo invisível. Misturam-se com os versos emanados da máquina de trazer música. Germinam.


Coisa. Fala de si para si. Fala do íntimo estado. Publica. Expõe temores, incompreensões, alegrias, torpezas, entorpecimentos e mais. Tangencia. Não se explica. Não há, de fato, desejo de fechar qualquer questão, ou construir sobre um plano. A busca é de uma expressão aberta, visionária. O entendimento colhido em caminhos o permite. Contar histórias sem fatos é um sinal em Trump. Melhor, quando acontece, é dar início a um passeio.

domingo, 30 de janeiro de 2011

E pita.

Trump pita outra vez. Há um desequilíbrio. As dores tomam posse de instantes. Percebe-se transtorno em movimentos. Atravessa o palco, ombros baixos, cotovelos afastados do tronco, braços em arco. Em chegando ao espelho gira em dança minimalista. Em passos leves, minúsculos voos, deslocamentos insiste por instantes. Depois disso usa banquinho de preto velho e poltrona de amamentar. Janta recostado a apreciar nuvens. Anuviado é o pensamento. Tem autorização para passeio noturno. É hora de lavar-se.

O seguir da história é um salto. Sempre é. É impossível entender acontecimento senão acontecendo. Antes o nada acontece. O nada é antes. Alma de juvenil persiste, procura explicações. Monta em mosaicos um painel. Nele vão listados os saberes daquele a levar o pito. A pedagogia escolhida na reabilitação de Trump é ocultista. O crepúsculo é em chumbo, raios e trovões. Somado ao verde e à cor pedra da construção humana, alucina o sujeito. Hoje não está nada fácil, resmunga. Mal se percebe quando a chuva toma posse de tudo.

O pensamento é vago. O motivo e o pito e o motivo do pito são assunto de meditação. É tudo com rigor. Não há quase folga. Trump não deixa de estar em movimento, jamais. Treme, ronca, ressona, espirra, cantarola, assobia, fala. Por vezes é uma canseira. Escuta, diz sua alma andarilha. Estou a contar os pingos da chuvarada. Para tanto corro. Siga-me. O que espera é o abrir-se. Abrir-se é para ir ao lado, ao outro, o dentro.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Trump pita.

É manhã. Assim é feito o ato. O ator é o divagante. Pratica. Vislumbra. O princípio é musical. Banda das antigas, pouco ouvida, novidade velha ou sabe-se lá, é o introito. Preambular é de precisão. Mover-se na lenta é o jeito próprio da personagem. Há o drama do esquecimento, os lapsos. Na cela, sem saber qualquer começo, alguém é invisível. Os dias são os do aprendizado, do treino. Há o momento do banho frio.

Depois vem o prazer de esfregar-se, perfumar-se, vestir-se, olhar-se em espelhos diversos e sair a caminhar. O cenário é de efeitos, luzes, veículos, simulações. A luz é de meio-dia em calor. Na próxima parada pressente-se, no palco, a chegada ao encontro. Nos primeiros momentos os dois lado a lado estão. Fazem frente, na boca de cena. Mulheres aparecem. Contam façanhas grandes. Perdem-se os antes encontrados. É, pois, assim o almoço.

É na tarde. Em começo sempre é o estado do estar e do estarrecer. Andarilho poetisa andança suave. Instrumento aparece no pensamento. Some. Reaparece. Meditar métrica é necessário. Sob efeito do desígnio – palavra desconhecida, desentendida, buscada, compreendida depois de – segue-se. Como transliterar, versar, cadenciar, solfejar? São tantas as tarefas amorosas! É dever fazer escavações, plantios, colheitas, preces. É permitido entregar-se, por instantes, à música.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Trump é andarillho.

Revisar um texto é necessário. A tarefa é difícil. Escrever, seguindo o fluxo do acontecimento, ao som do Supertrump, parece mais simples. Música e palavra, instrumentos de expressão, comparecem ao planeta. São, entre tantos, frutos de um afazer humano, o inventar. Outros seres inventantes envolvidos estão por igual, juntos, transmutando.

A voz segue pelo elétrico ao vento. Ecoa a canção vinda da máquina. Há terreno, espaço aéreo, sentidos na mente homem. Pensa o corpo. O corpo humano é o homem. O homem vive em corpo humano. O retrato do corpo é o retrato do homem. Arranja as flores, homem. Revisa o estado dos adornos. Principal, atenta à lentidão que, vez por outra, invade os acontecimentos.

Cada gesto, cada gesto, cada gesto é. Ouve. O texto tem qualidades. Em momentos, perde-se. O trabalho é cortar, podar e regar. Assim pensado, mundo é macio. Enfim, sabe-se, desde um antes dos antigos, diversos saberes. Todos juntos, humanos, movem. Cada um dos todos move-se. Ritmos, confluências, dramas, guerras e fatos são, partes do fato são, sem interrupção.

O livro a viver verdade.

A verdade, desejado saber, deve de existir em mundo existente. Talvez em um dos supremos. As fantasias à margem de lago de ideias, ora vagas, nômades, migrantes, brotam régias. Elucubrações, eis palavra brotada. Delas é preciso afastar-se. Antepor conceito. Apagar o surgido monstro, o personagem vazio, sem corpo, sem pensamento, lançado ao vento em papel, boneco, rascunho, pré existência. Será necessário acreditar no encontro, na existência, para seguir nesta comunicação.

O livro é feito e exposto, em público, no imediato. Os processos de trabalho, seja na criação da personagem, seja na destruição da personagem, ficam manifestados, expostos. O regime é o dos ensaios abertos. Escrita performática, discursiva, evasiva, invadida e adiante é prática. Os resultados de qualquer grito jamais serão conhecidos por inteiro. As capacidades cognitivas do homem, qual as dos homens, são próprias, fragmentadas.

Viver é aprender percepção. Precisa, para seguir, guardar desconhecimentos. Carece a vida de ações do vivente. É um sem fim de ofícios possíveis os sugeridos pela vida. As afirmações são exigidas no diário. Os chamados tempos, dizem, são modos que estão por desaparecer. Em água ou chama, dizem. Cada qual sonhador reclama o saber do desfecho do sonho. Não importa, senão saber quais trechos da história ainda estão por ser escritos.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Começa em volta e encerra.

Começa. Com a desculpa de fazer uma limpeza, o homem transborda. Classifica os livros. A ideia é adotar ordenamento fundado em estilos. Não dá certo. Resolve acomodar por tamanho, por assunto, por cor e, daí, incapaz para qualquer, põe-se a desarrumar. Sistemas de pensamento, jogos de palavras, filosofia profunda, imagens exorbitantes, complexidades, fluidez e tudo está nos livros. Tocar cada um deles, livros, pensamentos, olhares, é a graça. Os volumes envelhecem. A memória é transtornada. É preciso criar coisas. Meditabundo, sai a caminhar.

Volta. O retorno é no depois, no pouco depois, dos passados dias. Onde esteve o homem? Entre os afazeres, quais os seus? Se é ou não capaz de integridade, pergunta-se o homem. Suas unhas encenam as bem cortadas. Seus cabelos existem. Sentidos muitos tem em ação. Vive este, o retroceder, em imaginação. Depois antecipa viagens por fazer. Ou, sonha viagens sonhadas. Ocupa-se, moderno, dos temas de outrora. Retoma, por instante, os trabalhos da casa. Arrasta poltronas e concebe possibilidades de assentar. Constrói, também, caminhos.

Melhor dizer verdade. Funciona o mundo na verdade. Nas mentiras grande é trabalheira, pequena a dádiva. O acontecimento é em anoitecer metropolitano. Céu vai extremo em nuvens, chuva e cinza. Elis canta, Tom rege, Por Toda a Minha Vida. Morante de torre cozinha, canta, escreve, pita, tudo em hora pouca e intensa. A noite é próxima. Melhor lavar-se em água fria. É o que pensa. Sente perder. Está em percurso. Vê coisas. Ouve vozes. Caminha pelas ruas duras. Enxerga tamanhos e tamanhos vistos com óculos. Conta as linhas. Encerra.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Todo Humano Canta.

A substância penetra o medo, dissera outrora. Repete, repete, repete homem. Pois, atravessadas eras, há efeitos. Um desejo estapafúrdio acomete o narrador. A descrição detalhada de fluxos íntimos. Qual relato de sintomas ou de acontecimentos em universo onírico. Invadem-se contador e contado. Confundem-se as tramas do pensamento. Cada olho volta-se para um pedaço do visível.

Ah substância! Graças é necessário conferir. Há estas coisas ingeridas, tomadas, tocadas, muitas e muitas, ungidas. Delas nascem novidades, tremores, tamanhos, todas, coisas em expansão. O narrador perde o prumo. Comparece ao centro – ao parágrafo – mutilando roteiros para recolher os pedaços. Enfumaçado, sob efeito, constrói um mosaico. Aspira.

Um dia – eis desejo – as palavras sairão livres de dentro do homem. As palavras – eis presente – são de anarquia. O pensar é no modo difuso. A substância arranca, qual tufão, sonhos presos em redemoinho. Dá-lhe homem, dá-lhe espaço – invoca-se. Os sinais estão todos em todo lugar. Todas as personagens – eis mistério – proclamam a um só tempo. É o viver.

Assim, assim mesmo é o movimento. As palavras saem em sussurros. O escriba, tomado, mal entende o código. Cumpre. Registra episódios, recortes do fluxo mental. Com vagar é que tudo acontece. Uma historieta é invento preciso. É assim. É sim. Homem circunavega o quarto em desordem. Tropeça em ventilador de teto. Cai. Descrente não crê.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Mais Palavra.

Mais. Palavra não ousa parar. Mais e mais ousa não parar. Parar palavra não ousa. Pode-se apagar uma frase inteira. Em seguida esquecer o tema tratado. Isto, em instantes, acontece. A fala desliza, a interna, a repetidora. A intenção era, e é ainda, a de contar acontecimentos durante os trabalhos de arrumação. Começam em acidente, resultado de desatenção, imperícia. O que leva a um bloqueio, no todo. Mente em trevas, músculos tensos, na manhã – aspectos – estão. Entrementes a alegria comparece em música.

Palavra. Ao mais e mais suave projeta-se o ser em sonhos. Os arranjos da casa prosseguem. Palavra suja deve ser largada, mandada ao longe. A confusão deve ser debelada. Eis uma das promessas dos deuses. No fim retorna-se ao sagrado. Volta-se ao lugar donde adveio o plano. Importa não perder o entendimento. Importa muito amparar-se em magias, música, versos, ocultismo, orquestrações. No futuro de ontem é o viver agora. Importa perceber a música.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Palavras aos filhos do homem.

A música corre solta. Toca o Hanuman Trio. Paira na casa branca. Paredes recém pintadas serão, em breve, coloridas. Hoje estão em estático, em neve. Os quadros estão deitados, na cama.

Contam-se detalhes, descreve-se o movimento da mente, em intenção de compreensão. Idas e voos e voltas e volteios rolam, no sempre.

O corpo contempla. Contempla o corpo. Corpo e corpo contemplado seguem. Continente e contido são. Percebedor e percebido vivem. O uno e o ego vão, presos, inteiros. Junto à terra é o acontecer.

Ensinamentos há. Observar é preciso. Há um reto e ondas. É logo ali, na mente. Desordens, desterros, doses, doutra forma nova ficam a cada instante.

Ao longe viajam rebentos. Vivem noutro onde, noutro quando, o juvenil. Recebem, decerto, outro tanto, tanto afeto quanto emanam.

Voltem-se às profundezas, grandezas, belezas – abençoa o pai, deseja o pai. Sonha-se diuturno. Uns voos em vezes acontecem – prossegue.

Mensagens cifradas perpassam histórias. A incompreensão manifesta-se, em repetidas horas. Livrar-se é dever de homem.

A prosa é essa. No seguir do serviço é de se chegar à liberdade, à expressão. Quiçá meandros, sobreposições, obscuridades venham à tona. Será então tempo de abrir mãos em amplitude.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Comunicado ao corpo feito.

Comunicado. Começa a noite, em breve. Aos buscadores de estados cabe iniciar trabalhos. Seja aceso o sinal. A invocação é: venha o descabido. Longas expirações e passos devem ser praticados. Partir é de precisão.

Corpo. Em noite e em dia segue-se vivo. Os medos de ontem resultam em nada. A música é leito de alma. É cama voadora. Sugere nova retirada em direção à orquestra e ao coro. É logo ali, depois de caminho suave.

Feito. Ida e volta e concerto em chuva ininterrupta dão em agrado. A emoção dos caminhos firma lugar no emocionado. As imagens do vivido, ora sonho em vigília, misturam-se aos sons da memória. Afinal, o que é a música, senhor!?

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Manifesto.

Senhoras e senhores, moços e moças, camaradas. Venho do longe dentro. Venho desejoso de chegar ao encontro. Intento, pela palavra, um contato. Devo dizer! Sigo assustado. Toma-me o susto. É um trêmulo a passar. Pelos dutos ele invade o tudo, o todo, o ego, o meu. Mesmo assim sigo. Em andando penso, falo um tanto, canto. Nas paradas rabisco estas notas. Envio querente. É de entender e ser em presença d'outro a querência.

Se me escutam, ei vocês, contem por aí uma história. Façam versos, musiquem, entoem por toda parte. Foi o dito por divindade. Daí a ideia de começar em primórdios e findar em destruição. Ei, ei, ei, atentem ao caminho, prosseguiu. Disto vem a vontade de descrever todos os atos. Perde-se qualquer devoto em meio às alusões. O palavrório é confuso. Adentra-se pântano. O verde e a água, em fabrico de cores todas, têm soberania.

O narrador fala só de si. Desconhece outrem. Caminha, na história, entre vultos. A eles dirige seu olhar e os transfere ao cérebro. Na cabeça do um, o próximo é pregado em colagem. Vira pedaço do falador que, sem parada, conta-se. Sejam segredos, sejam mentiras, tanto faz! Importa seguir. Importa voar, vez por outra. Importa cantar, sempre. O desejo é descobrir maneiras verdadeiras. E praticar pedir, ganhar, agradecer, agraciar.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Dever de casa: fazer paredes brancas.

Uma limpeza é acontecimento. Em começo é difícil. Há necessidade de mover os objetos. O repouso é interrompido. Dom Quixote, Pinóquio, Mandachuva, Guimarães, gravuras, memórias, trapos, coisas do homem, saem já donde estão, em projeto.

Depois de embalo, braços abraçam viola, sem vontade de arrastar, senão a atenção aos sons e a vigilância do pensamento. A busca é, qualquer, completa. Há ignorâncias em assuntos de vastidão. Sem os quadros as paredes informam. Novidades há sempre, em vestimenta.

Paredes têm dentro e fora. Homem sente. Dor tem partes, outros nomes, existe como todo o resto da existência, em abundância. Alegra-se o homem. Vê bons arranjos. Ouve. Cozinha janta. Convém ao homem arvorar-se de viver. Convém, em paredes, apreciar marcas.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Segredos.

Pouco é o saber. Em viver precário de afeto resulta dor. Viver precário resulta em dor de afeto. Os círculos estreitam. O caminho é súbito macio.

Alívio em passagem passa. A música é tudo. Os sentidos entregam-se aos sons, ao Chico. Amanhã vai ser outro dia. Como descobrir?

Palavra. Juras enunciadas, primeiro em desejo, escapolem. Quer-se a felicidade: a dos sonhos principais, das viagens primeiras e inspirações duradoras.

Segredos.

Centro da tarde. Confusões estão abertas. Pelas beiradas sobe-se. Mesmo depois de cumprir deveres pouco se descansa.

Quando tocaram houve um choque. Ou muitos choques, advindos de poucos toques. Fizeram os movimentos. Perderam líquidos. Trocaram.

Desespero. Momentâneo é quando acontece. Os nervos pulsam. Necessário é mover-se e pronunciar. Nem sempre é possível. Para sempre é possível.

Beiral.

É na madrugada o tempo permitido. É a hora de chegar ao ponto. Um trecho da história deseja desvendamento. O poder das letras sobre os letristas é mencionado. É nova vez. Uma fábula é o nome da história oculta.

Seguem os músicos, incansáveis. Fruto humano maior plantam e colhem e espalham e guardam a um só tempo. No entreato o homem retira-se, recolhe-se. Pretende seguir ao sono, quiçá à pequena morte.

Inda em meio entende. A alma é criança decidida à vigília. Deve de ter razões suas, motivos de crescimento. O impulso a traz de volta ao pensamento. O esforço é encontrar forma apropriada. Uma lenda deseja nascer.

Performance.

A casa acolhe em cores. Amarelo, principal, perpassa o chão. Cenário de aspectos, eis onde mora o homem, performer. Oculta-se em noite em quimono de estrelas. Traz ante os olhos o mundo visto com e sem um dos óculos vários, graus diversos, lentes, ferros, passagens luminosas, fronteiras, pontes, fontes. Fontes, fontes, visionárias fontes várias são.

Pouco importa entender o dito. Importa o ter estar e ser, importa estarrecer. A música corre solta. Insano, planta-se em assento. Finca o pé em teto aéreo, construído sobre teto aéreo. Inventa explicação diversa. Fura o entendimento. Confessa em solilóquio sua não materialidade. Noite em prata é corrente. No dia a chuva, na noite o estrelado, dão em território contente.

É parado. Homem insano estanca. Arranha-se. É delicado. Nem se machuca. Sobretudo crê. Por primeiro, é na eternidade a crença. Se há ou, senão, se não há isto ou aquilo, aqui ou agora, antes ou depois, eis motivos de reflexão. Coisas e coisas vigoram nas imaginações. Os seres são e estão em ideias. E assim por diante pode continuar o pensamento nômade.



quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Viver.

Seguir o caminho leva a momento em caminho. Por vezes, o instante é chamado agora. O acontecimento, outras tantas, dá-se em um aqui. Direito é, no enquanto, acreditar. Enquanto existe, pois o sabemos. Qual o antes, qual o depois, há o durante. Noutra onda há o perto, o inalcançável e a parada. É da lei, por igual.

O espírito, em conhecendo às partes o enigma, constrói corpo em trabalho. Escolhe. Em repouso, outro é o corpo. É construído também. Deve existir o tal sutil, o outro interno. É de crer. Em fabuloso qualquer – céu, invento, musicalidade, aclive, nome, deus, eterno – está a verdade. Percebê-la falta.

Desencontro há. Facetas iluminam-se. Incandescentes saltam – diversas, múltiplas – em direções. Fogem ou aninham sem descanso. Ao centro resta manter-se na espreita, em anúncio de convite. Vislumbrar a pacificação, no acerto de ritmos e cores, é tarefa. Fé não falta.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Não liberdade, senão prazer.

Sento-me. Assombro-me com as pequenas revelações. Fechei-me – sei lá desde qual tempo distante – para o encontro. É o que informam os acontecimentos confusos, as falas dos que me rejeitam ou acolhem.

Prelúdio de hoje. Toca-se: a música é fruto nascente do corpo. O corpo é tudo. Tudo é semente. O homem: tronco, besta, membros, alma, infinito e mais, toca-se. Dá-se no mundo: o acontecer.

Repentes, átimos, átomos, correntes, ânimos seguem a ser. A rota, em pausas, busca ser mencionada. Sobrevoamos, passeamos, estacamos um a um ou entre pares.

Fabulosa é a ausência. Estar-se ao longe de um si distante, desejando-se em íntegro ego, farto de um banquete, incapaz do vazio, abraçado, lacrimoso, cantante, no canto.

O que mais no mundo, senhor? Quais mais percalços? Quantos mais festejos, festivais, missas, solos? Eis, tantas, as palavras, senhor! Com elas, inclino-me.



sábado, 8 de janeiro de 2011

Pose.

Pose. Quer falar bonito, o homem. Quer da palavra o sumo, o generoso. Acredita em afeto. Olha o entorno. Os livros e as flores, desenhos, gravuras, madeiras, panos, pedras, aço, líquidos, pernas, pães e tantas – coisas, coisas do homem, coisas de homem – tem. Ao longe as sirenes informam noite alta. No fundo já se sabe tudo. No raso não é bom viver. Vamos lá! Vamos homem! Vamos atravessar a noite, o escuro, o escondido, o aquilo desconhecido, o desejo, o desejado, o sonho, o vão. Vamos! Vamos ao vão. Luxo está escondido entre os trapos. Saber-se livre é dever. Saber-se vivo é o dom. No enquanto assiste história de amor, o homem vive – trêmulo. Rememora os amores, aqueles, aqueles perfeitos, os que o fizeram chorar. Huummm!!!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Dose.

Privado de umas, dá-se outras – coisas, coisas do homem, coisas de homem. Vê-se. Vai às ruas, comparece às instituições. Vai limpo e aprumado, em horas e minutos exatos. Se mandam, senta-se voltado à parede branca. Permanece, no mover os olhos e os dedos, recostado. Espera o caminhar dos relógios e calendários. Agradece. Até agradece. Interrompe afazeres, dando-se os outros, em disciplina de comer direito e tudo, lavar-se apropriadamente, retornar no prazo. Agradece mais e mais. Até sorri. Permanece em olhos, dedos, assentos, encostos, sobre o piso branco. No anoitecer, come o pouco frugal, o permitido exato. Segue à janela e espreita. A lua existe em traço, nova. Reluz em meio a nevoeiro anunciador. Onde a graça? Onde o afago? Onde o motivo? Traça no chão os círculos todos. Exaure-se em possíveis. Escolhe cinco trajes. Põe a repetir uma canção alvissareira. Despe-se. No movimento, o segundo, toma a garrafa. Sente o gelo, o vidro, a transparência. Queime-se o céu, o véu, a boca da noite, a solidão, o inferno!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Trecho de fábula.

Fabuloso. Céu prateado em verão marcado d'água. Refeito em caminho, o plano é imutável. Tardes outonais fora de hora acontecem. Confusos comparecem os conceitos. Frágeis vão, sobre pernas por demais exigidas. A suavidade das formas imagináveis é tamanha!

Trilha. O som vem no randômico. O ouvir é junto do ensurdecer. Tambores maquinados, vozes eletrificadas, macios ondulares, pares de nomes seguidos de adjetivos, estão em circulação em uma qualquer parte do mundo.

Chuva. Dilúvios há. Bíblias foram-se. É possível mudar-se para as alturas, torres, picos, céus. Sabe-se já de desaparecimentos muitos. Ficar parece que não dá. A fuga é o resgate exigido pelo alento. Oh se é água só, porque de tantas formas?

Ofício. Acabar, findar, encerrar, tempos, dizem ser partes do afazer de criador. Tomara tenhamos sorte e o tal cumpre os deveres e nos dá um teco de eternidade. Dizer, dizer, dizer, disse o doce Jiddu que faria. E o fez.

Preâmbulo de fábula.

Noite alta. Segue o homem em vigília. Trocou guarda. Deu-se tarefa de escutar a música. Atenção é preciso e só. Os homens abraçados a instrumentos tocam. Acontece o encontro, o momentâneo. Ser e imagem de ser, reflexos, opostos, perfeitos, adentram o entendimento. Aquando é hora, a certa, as percepções navegam-se em veios, dutos, em ações enérgicas. Percebe-se percebendo-se. Avança homem. É o ordenado pelo rei da floresta.

Pausa longa. Cá é o nome de onde se está. Deu em começo de história começada pelo fim. Sabe-se dela só o nome. Um dia o narrado estará para sempre existido. Passado é, principal, moradia. Ali se pode estar com conforto. É nesse então tardio momento o existir do existir atenção à métrica, à clareza dos caminhos e ao ademais completo. Que pode fazer o narrador, quando em extravio? Perde-se no desejar contar a presença dos Duetos, tocados por Egberto Gismonti e Alexandre Gismonti, Saudações.

Um passo. Quando se vê tudo já aconteceu. O tempo é percebido em veloz voo. Meninos estão crescidos, vários. Meninas também há muitas. A beleza acompanha honrada. Há necessidade de atuar no sutil. É preciso educar, cada um a si. Aparece a moça na memória. Vai à escola de medicina. Foi criança capaz de folguedos. Gostava de espátulas delicadas. O imaginador se interrompe, em licença profética. Apaga a moça e volta-se ao umbigo, janela de entranhas. Orgulha-se. Locupleta-se. O ego é protetor inimigo.

Uma vez. Era assim. O agora é verdade, é potência, dizia-se. O artista tocando é de nome de estrangeira frequência. Cada pequeno fluxo de pensamento é percebido qual fosse um grão. Cada trecho da fala pede benção, glória, aplauso. Os métodos para entender o pensamento, para refletir sobre os reflexos das reflexões, para profundezas, para frases longas, densas, encorpadas, desapareceram. Em crise de excessos o homem vê-se abarrotado. Lembra da reflexão meditativa regida por Jiddu Krishnamurti. Observa, ao largo, o trabalho da mente.

Memória.

Nota: a rota é em sonho.

Primeiro sonho lembrado por homem, quando em criança, é chegada à Holanda: clareira verdejante, musgo, arvoredo frondoso. Esta Holanda é lugar de acomodarem-se os seres, em repouso, entre os galhos, sobre as árvores.

Sonho repetido: em meio a trajeto há uma porta, entrada, portal. Uma vez atravessada a fronteira apresenta-se um mundo diverso. Lugares, objetos, coisas, acontecimentos, sucessos em aparente sem fim. O acordar é retornar de viagem imensa. Aventura é passear, em tarde quente, e ver ao canto do canto da rua uma construção em ruína, tomada por vegetação intensa, tomada por flores demais e perceber ser aquela uma imagem igual à do sonho.

O casamento é do pai com o filho. O menino apresenta-se limpo, com cabelos negros em brilho. A vestimenta lembra asas: suaves, brancas. O tronco está nu. O abraço é de reconforto. O sonhador acorda em susto. Caminha pela casa. Volta ao sono em desejo de retornar à possibilidade da expressão do amor, em sonho.

Antes sonhara andar ao lado da mãe. Ela com braço dado à jovem amante. Seguiam os três em um trem.


domingo, 2 de janeiro de 2011

&

O achado no caderno encapado foi uma carta ameaçadora. Dava conta da necessidade de porem-se os carros sobre os trilhos e seguir. Qualquer movimento há de ser feito imediatamente. O perigo não é circunscrito. Ao contrário, muito ao contrário, diverso e infindo é o perigoso perigo, em escrito ameaçado.

Tudo terá fim um dia. Aos seres cabe ir até o fim e, dali, saltar em direção ao incompreendido. No avesso é próprio pensar o tema da morte quando ele se apresenta. Temer. Pensar em mudar no imediato e, tornado em outro, ver-se em contínuo começo. Alivia. Descrever-se, descrever-se, descrer, desdenhar, desvendar suaviza.

O medo volta. É necessário recolher os sentidos antes em diáspora. A dor existe e é delicada. Uma refeição ligeira se pode fazer e seguir pensando. Os trabalhos do corpo, os esforços da transformação do alimento em sangue, são as tarefas, as principais. Estar vivo é perfeito. Só existe se for completamente. Não há meia vida. Não há quase vida.

São necessários muitos cuidados para poder prosseguir. Se as letras tomarem o poder do texto, em revolta agonística, cerceando o homem, proibindo a prática da produção do sentido, estará tudo perdido. A liberdade é pântano frondoso. Deseja-se estar a salvo, mas isto é impossível. Não há abrigo qualquer. Não há lado de fora.

sábado, 1 de janeiro de 2011

010111

Ao novo tempo pertencemos já. Qual no quando fôramos pertencentes do passado, vivos estamos no agora. Ao tempo pertencemos. Mantras estão no presente ao qual pertencemos. E é bom isto: praticar o certo, o justo, o reto e o torto no quando for o caso de ser agente de um ou outro ou qualquer desconhecido destino. Ao além seguimos com certo vigor. Permanecemos vivos. Números existem. Prestam-se ao cálculo dos acontecimentos, à nominação, à fabricação do misterioso, às explicações do mundo, ao infinito intuído.
Hosana!